Início Bragança Paulista VII Fórum da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres debate prevenção...

VII Fórum da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres debate prevenção da violência digital contra mulheres em Bragança Paulista

0

A Prefeitura de Bragança Paulista, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, realizou na manhã desta quarta-feira (26/11), na EBRAFA – Escola Bragantina de Formação e Aperfeiçoamento, o VII Fórum da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, que em 2025 teve como tema “Prevenção da Violência Digital Contra Mulheres”.

 

O evento aconteceu em alusão ao Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher (25 de novembro) e à campanha mundial promovida pela ONU Mulheres, que neste ano adota o tema “UNiTE para Acabar com a Violência Digital contra Todas as Mulheres e Meninas”. A iniciativa reforça a necessidade de ações coordenadas entre poder público, sistema de justiça, sociedade civil e plataformas tecnológicas para tornar os espaços digitais mais seguros para mulheres e meninas.

 

Rede de proteção reforça compromisso com o enfrentamento à violência

Na abertura, autoridades municipais destacaram o caráter atual e urgente do tema. O Secretário de Ação e Desenvolvimento Social, Marcos Roberto dos Santos, ressaltou que, apesar dos avanços, os índices de agressão continuam preocupantes: “Temos todo um sistema de proteção contra aquilo que já aconteceu, mas precisamos conhecer as causas e atuar nessa raiz.”

 

O Secretário de Segurança e Defesa Civil, Coronel Américo Massaki Higuti, reforçou a integração entre as forças de segurança no atendimento às vítimas: “Estamos juntos na proteção às mulheres vítimas de violência, seja no ambiente digital ou presencial.”

 

A Vice-Prefeita e Presidente do Fundo Social de Solidariedade, Gislene Cristiane Bueno, também à frente da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, destacou a responsabilidade da equipe e a importância do tema: “A mulher não pode ter medo em ambiente nenhum da vida dela. Nossa função é proteger e dar respaldo para que as mulheres se sintam seguras e encorajadas.”

 

Ministério Público chama atenção para gravidade da violência digital de gênero

Na primeira palestra, o promotor de Justiça e coordenador do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NAVV), Dr. Rogério José Filócomo Júnior, abordou a violência de gênero facilitada pela tecnologia, trazendo dados e reflexões sobre o cenário nacional. Segundo ele, o Brasil figura entre os países com maiores índices de violência digital contra mulheres, além de registrar números alarmantes de feminicídio.

 

Em sua fala, o Dr. Rogério destacou a dimensão democrática do direito das mulheres a viverem sem violência: “Democracia é uma mulher sair andando na rua e não ser assediada, poder fazer seu trabalho e não ser maltratada, ser livre e segura.”

 

Ele orientou que, diante de qualquer violência digital, é fundamental guardar provas (prints, links e páginas) e registrar ocorrência nas delegacias, explicando ainda a importância da cadeia de custódia e dos procedimentos adotados pelas autoridades.

 

Dr. Rogério reforçou o papel dos canais de denúncia, como o 180, plataformas especializadas como a Safernet, e o trabalho do NAVV em Bragança Paulista.

 

Impactos psicológicos da violência digital nas mulheres

Representando o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NAVV), a psicóloga da Universidade São Francisco (USF), Edilene Matos, trouxe o olhar da saúde mental para o tema “Impactos Psicológicos da Violência Digital nas Mulheres”. Ela lembrou que a violência digital é uma continuidade das violências já conhecidas, ampliando seus efeitos: “A violência digital não é algo à parte, ela amplifica e é parte de um contínuo de violências.”

 

Entre os principais impactos, Edilene destacou: Ansiedade e hipervigilância; Humilhação, vergonha e rebaixamento; Sofrimento emocional persistente; Rompimento da autonomia e dependência emocional; Isolamento e medo de exposição.

 

Citou, ainda, a reflexão do médico Gabor Maté: “Não é sobre o que fizeram com você, mas o que você fez com o trauma. Traumas não definem identidades, definem desafios.”

 

Controles internos e políticas públicas efetivas no combate à violência digital

A advogada e auditora de Controle Interno da Prefeitura de Campinas, Jaqueline Maciel Lustosa, abordou o tema “Controles internos e a efetividade das políticas de enfrentamento à violência digital”, relacionando dados, avaliação de políticas públicas e mecanismos de controle.

 

Ela explicou o ciclo das políticas públicas: identificação do problema, agenda, elaboração, implementação e avaliação; e reforçou que a violência digital contra mulheres não é apenas um fenômeno tecnológico, mas um problema público que exige resposta do Estado.

 

Em sua fala, Jaqueline enfatizou o papel estratégico dos controles internos: “Os controles internos, muitas vezes vistos apenas como fiscalização, são, na verdade, o coração da efetividade das políticas públicas.”

 

A palestrante apresentou instrumentos de monitoramento e avaliação, como planos operativos e de ação, indicadores, metas, relatórios técnicos, padronização de processos, dados abertos e transparência.

 

Para ela, a prevenção passa pela educação, com inclusão do tema nas grades curriculares, letramento digital, capacitação de profissionais e criação de canais de denúncia em escolas e universidades, e por uma atuação articulada entre poder público e sociedade.

 

Guardiã Maria da Penha e o acolhimento às mulheres em situação de violência

A Guarda Civil Municipal Amanda Camargo de Azevedo, integrante do Projeto Guardiã Maria da Penha, apresentou o trabalho realizado em Bragança Paulista no acompanhamento de mulheres com medida protetiva e em situação de risco. Ela explicou a classificação do grau de risco das vítimas, o contato direto da equipe, as visitas periódicas e a articulação com órgãos da rede.

 

Amanda revisitou os tipos de violência (física, psicológica, sexual, moral e patrimonial) e os sinais de alerta em relacionamentos abusivos, como comportamento controlador, envolvimento amoroso muito rápido, expectativas irreais em relação ao parceiro, crueldade com animais e abuso verbal. Também descreveu o ciclo da violência e reforçou a importância de seu rompimento:  “É preciso romper o ciclo da violência. Sabemos que não é fácil para a mulher, mas é necessário, e nosso trabalho é estar ao lado, acolhendo e orientando.”

 

O momento foi finalizado com o depoimento de Elizângela Teixeira Lopes, ex-assistida do Projeto Guardiã Maria da Penha, que emocionou o público ao relatar sua trajetória e o acolhimento recebido pela equipe. Ela reforçou a gravidade da violência psicológica: “Sofri violência psicológica, e isso dói mais do que um tapa.”

 

Na ocasião, também estiveram presentes a Dra. Aline Alessandra Marques Faria Ferreira, Delegada de Polícia da Delegacia de Defesa da Mulher de Bragança Paulista e a escrivã Fabiana Bernardes; Kelly Franciany Ferraz Zerbien, auxiliar de promotoria do Ministério Público; Rosana Maria de Lima Superintendente do Plano de Saúde da Santa Casa Saúde e a ouvidora Larissa Felix; Thelma Ferrão, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher; Simone Bueno, Presidente do Conselho da Juventude; Monise Pinheiro, Coordenadora de eventos do Papo Sério; imprensa e demais participantes.

 

A edição deste ano encerra-se com a certeza de que nenhuma mulher deve navegar sozinha, nem nas ruas, nem nas redes. O Fórum deixa como legado o fortalecimento de vozes, a união da rede e a construção de caminhos para que o uso da tecnologia seja sinônimo de liberdade, e não de medo. O compromisso permanece vivo: transformar informação em proteção, escuta em acolhimento e políticas públicas em vidas mais seguras, para que cada mulher possa existir plenamente, em todos os espaços.

Jaqueline Maciel Lustosa – Advogada e Auditora de Controle Interno da Prefeitura Municipal de CampinasEdilene Matos, psicóloga da Universidade São Francisco (USF) e do NAVVAmanda Camargo de Azevedo, Guarda Civil Municipal da Guardiã Maria da PenhaElizângela Teixeira Lopes - Ex-assistida pelo Projeto Guardiã Maria da PenhaVII Fórum da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres 1VII Fórum da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres

source
Com informações da Prefeitura de Bragança Paulista

Leave a Reply